...que o casamento altera por completo a vida de algumas pessoas e fazem-nas esquecer de quem foram e de que até lá tiveram uma vida.
Há umas semanas recebi um convite no facebook de alguém que não me dizia absolutamente nada. Recusei, como é meu hábito. Ontem, para meu espanto, liga-me uma das minhas melhores amigas e no decurso da conversa pergunta ela: "Olha lá, porque é que não aceitaste o meu convite no facebook?" Moi? De certeza? Impossível...
Pois que era possível. A dita pessoa cujo nome não reconheci era ela mesma. Não lhe bastava ter adoptado o último nome do marido (cada um sabe de si mas eu não consigo achar nenhum sentido a isto), acho que a partir de agora quer ser chamada pelo seu segundo nome quando toda a gente, durante toda a vida, a conheceu pelo primeiro. Giro, não é? Isto, porque o marido gosta mais...
Mas há mais. Agora não tem tempo para sair porque tem lides domésticas para fazer. E também tem que dedicar o pouco tempo que sobra às famílias - dele e dela - o que dá muitos pais, muitos irmãos e muitos sobrinhos. Muitos fins de semana, portanto.Sair com os amigos está fora de questão, agora a vida é outra, diz ela.
E eu, hesitante entre o sentimento de pena e a vontade de lhe partir qualquer coisa na cabeça a ver se consigo que a minha amiga acorde para vida e recupere a personalidade perdida, peço aos deuses do Olimpo que nunca deixem que tal coisa aconteça comigo.
Creeeeeeeeeeeeeeeeeedo. É de meter medo.
Entretanto, vou tentando evitar os telefonemas. É que já não há paciência para tanta conversa sobre as infindáveis maravilhas do matrimónio.