sábado, 10 de janeiro de 2009

Posso gritar só um bocadinho?



Isto de comprar casa é muito giro, sim. Mas só até ao dia em que os nossos amigos, inseparáveis companheiros de viagem, resolvem ir uns dias até à Índia...e pela primeira vez na história da nossa existência, não podemos acompanhá-los porque a crise chega a todos e há que fazer escolhas. Escolhe-se a casa. E a mobília da sala. E do quarto. E o frigorífico smeg azulinho a que não conseguimos resistir. E a televisão Full HD que o namorado fez questão de ter, por uma questão de compatibilidade com a Playstation 3. E as almofadinhas rosa choque para o sofá. E as cortinas japonesas. E o serviço de pratos.

Bolas, mas quando é que isto vai acabar?

Não sei se...


...tenho mau feitio, se sou demasiado exigente com o ser humano em geral ou se pura e simplesmente pareço arrogante e pretensiosa. A verdade é que não sou uma daquelas pessoas que faz amigos em cinco minutos (e quem diz cinco, diz dez ou vinte ou até um dia inteiro). Tenho poucos amigos, quase todos de infância e os últimos que me lembro de ter feito, dignos desse nome, são do tempo da faculdade. Bem contados, são menos de sete.

Mas conheço muita gente. Gente com quem vou ao cinema, à praia, jogo Buzz ou Singstar, saio à noite e passo o ano. Ás vezes também sou convidada para os casamentos. São óptimos na tarefa de animar a minha vida que sem eles seria cinzenta pois os amigos nem sempre estão tão perto como eu gostaria. São divertidos, sorridentes e bem dispostos. Mas, para estas pessoas, a vida é uma grande e permanente festa e se não estamos com vontade para festejar e rir, então é mais sensato ficar em casa a ver um filme, para não estragar o ambiente.

Ora, isto desilude-me. Às vezes, antes de adormecer, gasto milhões de neurónios a tentar perceber como é que há gente capaz de ter tantos amigos. Daqueles que dizem ser mesmo inseparáveis. São capazes de construir a amizade com um simples olhar que os faz perceber que são almas gémeas e tem muita coisa para compartilhar. São tão extrovertidos que ao fim de uma conversa animada num jantar qualquer, resolvem convidar a mesa toda para passar o próximo fim de semana na casa da quinta. Já para não falar daqueles que metem conversa com a pessoa que viaja ao lado no Alfa Pendular e depois de duas horas já estão a trocar números de telemóvel.

Eu não sou assim. Exijo muito de mim própria e não aceito menos em troca. Gosto do meu espaço individual e odeio que o invadam sem convite (e isto é motivo para eliminar logo de rajada uma amizade que nunca o foi mas poderia ter sido). Rio ou choro, não porque é o dia e momento certo mas porque me apetece. Vou até Londres pelo menos três vezes por ano não porque gosto de viajar (sim, adoro, mas o mundo é enorme!!) mas porque a minha grande amiga A. precisa da minha companhia.

Menos do que isto, não aceito nem compreendo. Mas o mundo há-de sempre ser para mim um grande ponto de interrogação.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Feeling Like (I)


I am a stone...I do not move...*
* É impressão minha ou está frrrrrrrrrrrrio? Muito frrrrrrrrrrio?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

“Just because it is, it doesn’t mean it should be”




Foram estas as palavras que permaneceram na minha conturbada mente, após mais uma ida ao cinema. Daquelas que ficam na memória e não se desvanecem ao fim de duas ou três semanas. Fui ver o Australia, está claro. Três horinhas que passaram por mim como se fossem apenas três minutos, tal foi a emoção que me prendeu à tela.

Não sou de choraminguices nem lamechices e irritam-me profundamente as mulheres que vertem a lagrimazinha ao mais pequeno desiquilíbrio natural (ou homens – que também os há!). Mas a verdade é que tive que me conter para não chorar: duas vezes. E isto, meus amigos, é obra.

Nicole Kidman no seu melhor, um Hugh Jackman irresistivelmente irresistível, cenário mágico, argumento irrepreensível. Seguramente, o melhor filme que vi nos últimos tempos.
Tenho para mim que as próximas idas ao cinema me vão trazer desilusão...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Inspira...Expira...

Os tribunais reabriram hoje e eu inspiro uma longa e lenta lufada de ar fresco (fresco q.b., diga-se de passagem), aquele que me vai oxigenar o cérebro nos próximos dias, certamente, logo após a habitual chuva de notificações na minha caixa de correio que me levará mais uma vez ao mágico e maravilhoso mundo dos prazos judiciais.
No fundo, gostava de ser diferente de todos os advogados que eu conheço e conseguir trabalhar inspiradamente sem a corda no pescoço ou o tic tac do relógio, anunciando o fim da minha vida profissional, na eventualidade de não conseguir cumprir aquele prazo. Mas inspiração e antecedência são palavras que não combinam. Não no meu dicionário.
E também gostava de ser assim na minha vida pessoal, evitando chegar atrasada a jantares, casamentos, baptizados, check in nos aeroportos, idas ao cinema, à esteticista, ao banco, etc, etc, etc. E arrumar o meu quarto porque sim e não porque já não consigo encontrar a tal camisa para combinar com o tal fato num espaço temporal inferior a dez minutos.

Resumindo: gostava de ser organizada.
...Mas tenho sérias dúvidas de que pudesse ser feliz.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Weekend

O fim de semana voou entre horas de sono no meu sofá, episódios atrasados de Prison Break e Cold Case, momentos de cumplicidade com a melhor mana do universo e que é minha, três episódios de “Querido, Mudei a Casa” na esperança vã de finalmente descobrir uma decoração realmente fantástica para o meu quarto novo (sem sucesso, contudo), um jantar na companhia dos melhores amigos do mundo, com muita conversa, muitos martinis, muitas gargalhadas e a e sensação de que juntos somos invencivelmente felizes, algumas horas a tentar ordenar a minha colecção de camisolas e camisas por cores e ocasiões, e mais sofá e mais sono e mais séries e mais livros.

E como se não bastasse para me sentir inteira, chegaste e falaste-me do teu corte de cabelo novo, de que não gostavas. Ou melhor, que abominavas. E que enquanto ele não crescesse não podias estar comigo. Porque eu não podia ver. E eu rasguei um sorriso. Daqueles que só tu sabes rasgar…

O que posso pedir mais?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dear 2009...


Não sei se já te tinha avisado mas vais ser um ano decisivo. Para mim, é claro. Vou finalmente sair de casa dos meus papás (que já muito me aturaram, sempre cheios de muita paciência e boa vontade, que isto de ter que levar com o meu mau feitio todos os dias não é tarefa fácil) e mudar-me para o meu apartamento no centro da cidade, novinho em folha. Só meu.
Assim de repente, parece uma aventura irresistível mas conhecendo-me como só eu me conheço, temo que isto vá complicar de vez a minha vidinha já de si tão complicada. Falo de auto-disciplina, pois claro. Aquela que os meus trinta anos de vida nunca me trouxeram e que eu tanto precisava, de vez em quando.
Por isso, querido 2009, para além dos pedidos habituais (muita saúde, muito trabalho, muitos amigos, muito love, muita boa disposição…), acrescento mais este: muita sanidade mental. Muita, muita, muita. E tu sabes bem porque te faço este pedido. E também sabes que vou precisar.

…Mas não exageres na dose, ok? (é que eu também gosto de ser louca, de vez em quando…)